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Funcionário Dissimulado

Recorri a um dos inúmeros dicionários virtuais e encontrei essa definição para explicar o que é uma pessoa dissimulada:

“Pessoas dissimuladas são falsos inocentes. Aquelas que se fazem de bobas para se dar bem com os outros. Os dissimulados não têm (porque escondem) opinião própria, são pouco corajosos (porque não dizer covardes) e adoram se dar bem em qualquer situação.”

Você já viveu a experiência de trabalhar com uma pessoa assim? Eu já.

Essa pessoa investia toda sua inteligência na identificação do que os chefes e diretores queriam ou precisavam e era capaz de fazer de tudo para atender a essas demandas, sua maior realização era agradar, sempre fazendo com que acreditassem que ela, genuinamente, concordava com tal opinião ou decisão.

Nos níveis hierárquicos acima uma pessoa assim é percebida como contributiva, comprometida e alinhada com os objetivos da área. Para os lados e para baixo acaba sendo reconhecida exatamente como ela é, após uma, duas ou três demonstrações de que está ali para vestir a máscara que mais lhe convier.

Abordo essa questão porque quero enfatizar a atuação de gestores que “patrocinam” essa situação. Eles estão mais preocupados com o suposto alcance de resultados do que com o como esses resultados são gerados. Nesse momento criam uma grande distância dos outros membros da equipe  e perdem a oportunidade de ouvir a opinião  dos que sabem e testemunham as artimannhas do colega dissimulado no seu alpinismo profissional.

Poupa muito tempo e é muito mais fácil se concentrar na opinião daqueles que concordam conosco e realizam tudo que pedimos e precisamos fazer como parte da rotina corporativa. Gestores assim, ficam tão fascinados por tamanha competência e alinhamento que não percebem que estão simplesmente sendo manipulados.

Os demais colaboradores acabam não falando mais sobre o colega dissimulado porque tentaram uma ou duas vezes e o gestor não  só se negou a ver, como ainda o defendeu e elogiou. Fácil entender o mecanismo: o dissimulado faz o que querem que seja feito sem nunca questionar, o gestor fica satisfeito porque endereça determinada situação de forma mais rápida, mais fácil e sem questionamento e, então, ele não vai querer reconhecer que essa pessoa, que é tão útil aos seus propósitos corporativos, causa multo mal ao ambiente organizacional, aos colegas e, ao final, a ele mesmo.

As empresas deveriam ter mecanismos para mapear esse tipo de situação, mas é difícil e muitas vezes, situações assim perduram por anos  e aí ficamos insatisfeitos porque achamos que o mundo corporativo não é muito justo. Quer saber se a pessoa dissimulada que me inspirou esse post ainda está na empresa? Está sim e foi promovida um tempo depois…

Mas apesar de, no curto prazo, pessoas assim serem bem sucedidas, é fato que no longo prazo não se sustentam. São pessoas que não têm rede de contatos, não possuem referências positivas do seu trabalho e não têm realizações relevantes para contar. Não é necessário gastarmos nossa energia desejando que essa pessoa seja desmascarada, a vida se encarrega disso com naturalidade e elegância. Então o que fazer?

Focar na sua conduta ética, ter coragem de se posicionar quando necessário, concordando ou descordando de decisões que não são produtivas, oferecendo alternativas e possibilidades. Trilhar seu caminho e não gastar seu tempo precioso falando de gente assim. A existência de uma pessoa assim vem te afetando diretamente e constantemente? Você percebe que a empresa não pretende fazer nada sobre o assunto? Ok, considere mudar de empregador, mas cuidado! Lembre-se que você não deve “fugir” do seu empregador atual por causa disso, mas sim “escolher” seu empregador futuro.

Boa sorte!

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6 Comentários

Realmente existem muitos com este perfil mas o próprio autor diz: “eles não se sustentam” e isto é uma grande verdade, possuem vida curta nas organizações.

Infelizmente existem pessoas deste tipo ao nosso redor. Já trabalhei com uma pessoa assim. Me passou uma rasteira danada, tanto no profissional quanto na minha vida pessoal. Considerava como amiga, e quando fui ver, já foi…. Dissimulada, tonta, invejosa e traiçoeira. Felizmente, teve vida curta na empresa e adivinhem…. ela saiu e eu fiquei!

Pessoas dissimuladas são lixos humanos que abusam de todos para levar vantagens.
São traiçoeiras e eu tenho uma dessas no meu local de trabalho.
Ela é uma cobra…

HAHAHA ninguém pode nos deter 😀 , quer dizer então que a vida irá dar cabo de nos?
Improvável ,pois estamos no controle de nossos destinos!