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Ser ou não ser gestor? Faltam 17 Dias!

Antes das nove da manhã já estou de volta ao meu escritório para iniciar os três dias de handover com meu sucessor. A primeira etapa é a apresentação formal dele ao time. Com toda a equipe na sala, meu chefe, o presidente, abre a reunião. Ele me emociona com simpáticas palavras sobre minha contribuição e me deseja sucesso com as novas atividades profisisonais. Merci.

Saudades…

A medida que cada um na sala se apresenta, inúmeras recordações enchem meu pensamento. Ver todos reunidos, seus desafios, as palavras de reconhecimento que alguns me dirigiram… já sinto saudades. Sabemos que os laços que realmente importam não se quebram com uma mudança profissional e, isso é o que importa no final das contas.

Liderar uma equipe é algo que vou sentir muita falta. Gosto de trabalhar com pessoas, o exercício de identificar as forças de cada um, de apoiar no desenvolvimento das suas fraquezas, de aprender com soluções desenvolvidas em discussões preciosas, de comemorar metas ousadas, mas possíveis, porque foram fruto da construção coletiva. Gosto de acompanhar o crescimento das pessoas que trabalham comigo e, de alguma forma, saber que fiz parte desse processo.

Não diria que gerir pessoas seja fácil, pelo contrário, é uma atividade  extremamente complexa, que consome muita energia. Percebo que muitos profissionais chegaram a posições de gestão pelas suas habilidades técnicas e pelos resultados entregues e, muitas vezes, são inábeis na tarefa de gerir seus times. Ao longo da minha carreira, vicenciei muitas promoções que ocorreram exatamente assim.

São muitos e, de diferentes naturezas, os motivos que levam profissionais a ambicionarem uma posição mais alta na hierarquia de uma empresa, poderíamos  citar desafio, status, maior remuneração, visibilidade, ambição, sonho, propósito, vaidade etc. Ao escalar o plano de cargos, aumenta a responsabilidade em relação às pessoas, às relações. As competências que determinarão seu sucesso estão muito menos relacionadas a conhecimentos técnicos e muito mais focadas em habilidades como relacionamento, influência, comunicação, empatia, flexibilidade, visão de longo prazo, tolerância e generosidade, por exemplo.

Aqui nos deparamos com um grande desafio das áreas de RH e dos gestores em geral, como lidar com aqueles que já ocupam posições de gestão, entregam seus resultados mas, fazem isso causando muito desconforto, stress, conflito e, às vezes, até desrespeitando seus subordinados?

A pressão por tempo, que a própria organização se coloca, é o principal fator gerador de “falsos gestores”. É comum ouvirmos argumentos como: “temos que preencher rápido essa vaga”, “não podemos trazer alguém de fora porque há o tempo de ambientação e, fulano já entra jogando”, “como vou dizer a ciclano que ele não é o sucessor? ele entrega ótimos resultados!”, “beltrano já tem 10 anos de casa”, “é verdade que ele não tem boa liderança, mas colocaremos ele em um processo de coaching“, “construiremos um plano de desenvolvimento individual e ele vai aprender a ser gestor”…

É lógico que todos podemos desenvolver qualquer competência, somos seres humanos e podemos, sim, aprender, basta um pouco de auto-conhecimento e muita disciplina. O problema é quando minimizamos esse gap e colocamos “lá” pessoas que não vão alcançar os níveis de proficiência necessários e, ao invés de promoverem um ambiente de desenvolvimento e inovação, vão se tornar especialistas em fazer da vida de seus subordinados um verdadeiro inferno.

Erros em processos acontecem, não seria diferente com um processo seletivo, podemos errar. O que não podemos nor permitir é falta de coragem ou de visão, para garantirmos que as pessoas que serão promovidas sejam capazes de atuar como gestores de verdade que ensinam, cobram, apoiam, respeitam e inspiram, gerando assim resultados sustentáveis.

Vou dormir pensando nisso tudo, quantas vezes pude contribuir para que isso fosse verdade, quantas outras falhei… De repente me foco na reunião da manhã e lembro de cada pessoa do meu time, uma a uma… fecho os olhos e agradeço a cada um deles, cada um me ensinou muito! Fico feliz em constatar que ganhei muitos colegas e fiz grandes amigos.

Obrigada!

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