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Sobre deuses gregos e estratégias de remuneração

Antonio Linhares émestre em Administração de Empresas pela PUC RJ, conselheiro do Grupisa Rio e gerente de recompensa e planejamento da Wilson SonsAntonio Linhares é mestre em Administração de Empresas pela PUC RJ, conselheiro do Grupisa Rio e gerente de recompensa e planejamento da Wilson Sons.

Uma política de remuneração pode ir muito além da definição de uma política de cargos e salários, ou de uma relação estritamente financeira entre empresa e empregados. Por detrás de uma consistente estratégia estão postos desafios ainda maiores: alinhar e focalizar a realização dos objetivos da empresa, consolidar sua cultura organizacional e facilitar possíveis mudanças dessa cultura.

Em outras palavras, pensar na estratégia de remuneração é pensar em uma forma de alinhar essa política com as metas e estratégias da instituição. Mas como fazer essa correlação na prática?

Nessa empreitada, estudos de culturas organizacionais facilitam o trabalho do profissional de recursos humanos. A inspiradora tipologia proposta por Charles Handy é uma dessas ferramentas. Sua base remete aos deuses da mitologia grega. Zeus, Apolo, Atena e Dionísio são, nessa teoria, simbologias para identificar o grau de formalização e centralização das companhias.

Sinteticamente, Zeus é a cultura do poder, com poucas regras e procedimentos. Apolo representa a cultura dos papéis, que trabalha pela lógica e racionalidade. Atena personifica a cultura de tarefa, orientada para execução do trabalho ou projeto. Dionísio tem com referência a cultura pessoa, em que o indivíduo é o ponto central.

A partir de uma pesquisa* realizada junto a um universo de executivos seniores da área de remuneração, foi concluído que diferentes estratégias de remuneração se correlacionam com cada um dos tipos listados por Sobre deuses gregos e estratégias de remuneraçãoHandy.

No caso de uma empresa Zeus, ela deve buscar enaltecer os relacionamentos entre a liderança e seus profissionais dando ênfase aos fatores comportamentais, ao invés dos estritamente pecuniários, afinal, é uma cultura fortemente relacional.

Já para as companhias com a cultura Apolo, a ênfase deve ser aplicada na clara comunicação das oportunidades de crescimento e de desenvolvimento, além do equilíbrio interno da remuneração entre as funções e benefícios como previdência privada. Essas empresas são calcadas em valores como previsibilidade e estabilidade.

Nas organizações Atena, o foco deve ser em planos de remuneração variável de curto e longo prazo como fator motivador, afinal, é uma cultura com forte ênfase em resultados.

Por último, empresas com a cultura Dionísio, onde os talentos individuais têm espaço para florescer, as estratégias de remuneração devem dar ênfase a desenhos mais customizados, como o de benefícios flexíveis. Neste caso, merece uma atenção especial para garantir uma adequação equilibrada com a legislação brasileira.

Nenhuma organização apresenta valores de um deus grego único, mas apresenta um desses deuses gregos com maior destaque em sua realidade. Dessa forma, reconhecer qual cultura predomina em cada empresa é fundamental para administrar e implantar estratégias que visem melhorar o seu desempenho, bem como para trabalhar alguma mudança cultural desejada. Nesse contexto, o sistema de remuneração, dentre os outros subsistemas de RH, também é um instrumento relevante para o alinhamento da estratégia e engajamento dos colaboradores. Os resultados, provavelmente, virão em seguida.

*Artigo publicado na Você RH on line e inspirado na pesquisa acadêmica: “Correlacionando tipos de cultura organizacional com estratégias de remuneração utilizando a tipologia de Charles Handy”, dos autores Giuseppe M. Russo, Patrícia A. Tomei, Antonio J. B. Linhares e André M. Santos

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