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Desafios de executivos em adotar novas tecnologias

Por Cezar Taurion
Gerente de Novas Tecnologias Aplicadas/Technical Evangelist da IBM Brasil

Cezar Taurion

Há poucos dias terminei de ler um relatório do Gartner, “CEO Survey 2012: The Year of Living Hesitantly”, onde cerca de 300 CEOs do mundo todo foram questionados sobre diversos assuntos relativos ao cenário de negócios e ao uso de TI. Pensei muito sobre as conclusões do relatório e tive alguns insights que gostaria de compartilhar aqui.

O relatório deixa claro que os executivos pensam positivamente quanto a investir em TI e alguns temas como mobilidade e Cloud Computing estão chamando sua atenção.

Um desafio que eles enfrentam é como adotar novas tecnologias e conseguir resultados significativos. Implementar uma nova tecnologia por si, desconectada dos desafios e visões estratégicas, bem como das mudanças que podem provocar nas politicas, processos e mesmo cultura das organizações, não traz resultados positivos e deixa os CEOs na defensiva. Porque investir nesta ou naquela tecnologia sem saber o que ela trará de resultados para o negócio? Eventualmente ela embute mais riscos que benefícios e a conta, não fechando, cria uma barreira contrária a investimentos em novas tecnologias. Os CEOs, muitas vezes por questões de barreira de linguagem com seus CIOs não conseguem captar as disrupções que determinadas tecnologias como Cloud, Big Data ou mobilidade trazem em seu bojo e as encaram de forma tática e não estratégica.

E aí surge um ponto que me deixou intrigado. A pesquisa revelou que os maiores “trusted advisors” dos CEOs são os CFOs, geralmente avessos a inovações. Os CIOs aparecem muito longe no ranking dos “trusted advisors”.

Além disso, para os CEOs do universo pesquisado, os CIOs não estão entre os líderes de inovação nas suas empresas. Na frente deles estão os próprios CEOs, os executivos seniores, os gestores das BU (Business Units) e outros executivos. Os CIOs parecem na oitava posição. Pior ainda, quando perguntados como vêem os seus atuais CIOs no futuro, apenas 1 em 200 CEOs acredita que eles possam eventualmente serem seus sucessores, ou seja, os novos CEOs. Além disso, 40% dos CEOs vêem que no futuro os seus CIOs serão CIOs em outra organização na mesma industria e quase 16% os vêem ainda como CIOs, mas em outras industrias. Apenas 18% enxergam o CIO como um futuro lider de alguma área de negócio na sua empresa. Estas respostas expõem um fato preocupante: o CIO pode ir para um concorrente sem fazer maior diferença para o negócio!

Esta questão me parece que deve ser intensamente debatida. É uma visão errada dos CEOs ou os próprios CIOs é que não estão conseguindo mostrar que fazem diferença nas suas empresas? Para ajudar no debate há um ponto importante. Das empresas pesquisadas apenas 38% posicionam a área de TI ligada ao CEO. A maioria coloca TI debaixo do CFO ou COO. Ora sob o CFO o papel básico de TI é operacional e gerar informações para operação diária do negócio, com ênfase em informações financeiras. As prioridades são controle de custos e a área é vista como operacional e não estratégica. Sob o COO o quadro não é muito diferente. É uma área de suporte e não estratégica. Interessante que a maioria dos CEOs entrevistados não reclama do alinhamento de TI com o negócio, mas entende que TI apenas cumpre adequadamente o papel de estar alinhado com o dia a dia da empresa, não criando novas oportunidades ou liderando processos de inovação. Portanto, buscar alinhar TI com o negócio é mera obrigação. Se ainda não estiver alinhado é que algo muito errado está ocorrendo.

Amanhã publicaremos a continuação do artigo de Cezar com as reflexões sobre por que isso acontece e o que os CIOs devem fazer. Não perca!

Cezar Taurion é Gerente de Novas Tecnologias Aplicadas/Technical Evangelist da IBM Brasil, um profissional e estudioso de Tecnologia da Informação desde fins da década de 70. Com educação formal diversificada, em Economia, Ciência da Computação e Marketing de Serviços, e experiência profissional moldada pela passagem em empresas de porte mundial. Escreve constantemente sobre tecnologia da informação em publicações especializadas como Computerwold Brasil, Mundo Java e Linux Magazine, além de apresentar palestras em eventos e conferências de renome. É autor de cinco livros que abordam assuntos como Open Source/Software Livre, Grid Computing, Software Embarcado e Cloud Computing, editados pela Brasport (www.brasport.com.br).
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