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Daqui a 10 anos, os tablets vão substituir os desktops?

Por Cezar Taurion
Gerente de Novas Tecnologias Aplicadas/Technical Evangelist da IBM Brasil

Cezar Taurion

Um dia destes estava em um animado papo sobre os tablets e o que representam para o mundo da tecnologia. Meu colega perguntou “com a disseminação rápida dos tablets, os desktops ainda existirão daqui a cinco anos?”. Respondi, sim, com certeza. “E daqui a dez anos?”. Sim, também…Vamos debater um pouco este assunto e vou compartilhar minha opinião com vocês. Alguns concordarão e outros não. Mas o importante é gerarmos um debate.

A Internet móvel é bastante recente e ainda estamos dando os primeiros passos na exploração de seu potencial. Estima-se que hoje existam cerca de 2 bilhões de dispositivos, como smartphones e tablets, mas em 2020, ou seja, daqui a meros oito anos estaremos falando em 10 bilhões destes equipamentos. Lembramos que a população da Terra em 2020 deverá ser um pouco menos de oito bilhões de pessoas. Ou seja, teremos mais dispositivos móveis de acesso à Internet do que pessoas.

Os tablets, que apareceram em 2009, são um capitulo à parte. Sua popularização está, ao lado dos smartphones, mudando os hábitos da sociedade e afetando a indústria de TI como um todo.

Na minha opinião, pelo menos no curto e médio prazo, os tablets não substituirão desktops e laptops, mas serão um complemento a eles. Analisando o uso dos PCs (e aí incluimos desktops e laptops), vemos que tipicamente 75% do seu tempo é gasto no consumo de conteúdo e 25% é geração de conteúdo. Nos tablets, seu principal uso é consumo de conteúdo (são muito bons para isso), mas algumas pesquisas apontam que 20% dos seus usuários já criam conteúdo regularmente com eles. Olhando como usamos tanto os PCs como os tablets vemos que existe uma grande sobreposição de utilização. Por exemplo, no consumo de conteúdo como navegar na Web, participar de midias sociais, usar jogos ou ver videos, os dois são bastante usados. Os tablets tem a vantagem de serem mais portáteis que os laptops e terem sistemas operacionais com interfaces mais amigáveis e intuitivos. O resultado é que os usuários de tablets tendem a usar menos seus PCs nestas atividades. Agora, quanto à geração de conteúdo, os PCs, principalmente quando falamos na criação de textos longos, ganham com grande vantagem dos tablets. Mas, à medida que mais e mais jovens digitais, que usam com mais agilidade o deslizar dos dedos em telas touchscreen do que usam teclado e mouse, estiverem mais presentes na geração de conteúdo, menor será a necessidade de desktops e laptops.

Na prática, os PCs continuarão conosco por muito tempo. Muitos que compram um tablet não vão jogar fora seus desktops. Provavelmente não farão upgrades neles, mas ficarão com eles. Já os laptops continuarão sendo atualizados, pois muitos são corporativos e usados na geração de conteúdo. Empresas demandam textos longos… São propostas, emails, relatórios, etc, que ainda são mais fáceis de serem criados em laptops do que em tablets. Pelo menos para minha geração… Eu prefiro usar teclado e mouse para preparar um relatório. Talvez meu netinho de 3 anos quando for fazer isso aos 15 anos não precise de teclado… Mas hoje, o laptop é indispensável para mim. No longo prazo, a canibalização dos PCs pelos tablets se fará sentir, mas em 5 ou 10 anos ainda teremos bilhões de PCs por aí. Esta canibalização começará pelos desktops (que tal analogia com o telefone fixo?) e aos poucos se estenderá também aos laptops. Viveremos um cenário onde mais e mais a Internet será acessada por dispositivos móveis mas também teremos laptops e desktops conosco. Mas qualquer fabricante de PC que não tenha uma estratégia bem sucedida de tablet estará fadado a perder importância no mercado.

Veja amanhã a continuação do artigo de Cezar Taurion sobre os efeitos colaterais dos tablets! 

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