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Liderança: cenário no Brasil e particularidades dos líderes brasileiros

Por Recursos Humanos IQ

Lidar com problemas, superar obstáculos, resistir à pressão, entre outras coisas, são características fundamentais para quem quer ser um bom líder, além de um exemplo para os colaboradores. Mas, como a organização pode ajudar a construir este profissional dentro da empresa?

Nesta entrevista que a Recursos Humanos IQ realizou com Eduardo Mezei, Gerente de Recursos Humanos da FedEx, ele fala sobre o mercado brasileiro de líderes hoje, o papel da liderança para enfrentar o crescimento do país e a falta de mão de obra qualificada. Confira a primeira parte da entrevista:

IQ: Visto o atual cenário brasileiro, por que os líderes são tão procurados atualmente?

Eduardo Mezei, retirado do site Classificados da Folha de São Paulo

Eduardo: Porque ser líder vai além de ter um cargo de chefia. É muito mais fácil promover uma pessoa a um cargo de gerência e torná-la chefe por promoção, do que encontrar um verdadeiro líder para diferentes posições na empresa. Ser líder engloba a posição da pessoa com a sociedade, com a comunidade, com os stakeholders, com a empresa, com as equipes, etc. É pensar muito além, pois o que falta nos líderes, em diversos casos, é entender que o sucesso está em conectar de forma saudável todos os públicos que impactam o negócio e não só o cliente, mas também o colaborador da empresa. O problema raiz, em minha opinião, é a educação. As escolas não ensinam os indivíduos a pensar e a serem líderes no futuro, elas ensinam matérias no formato Revolução Industrial: a criança sentada ouve em silêncio o mestre que possui o conhecimento. Não há muita troca.

Aqui na FedEx, não queremos isso. Nós temos o programa Maestro e temos muito claro o que esperamos de um líder, ou seja, quais são as características que ele precisa ter para a FedEx. Procuramos isso em todas as funções, pode ser em um funcionário do Call Center, um Courier, um Gerente ou Diretor, mas são tendências e características que a gente sabe que um líder precisa possuir.

Disponibilizamos um manual para o funcionário de “Como ser um líder na FedEx Express”, que compreende algumas competências e atributos, como exemplo: coragem, confiança, flexibilidade, integridade, capacidade de julgar de forma adequada, justa e sem discriminação e respeito pelos outros. São essas seis questões que procuramos em um líder.

Acredito que esteja faltando o desenvolvimento adequado aos líderes. Dentro das organizações podem existir líderes em diversas áreas, mas muitas vezes eles não são identificados e nem utilizados da forma correta. Você não precisa promover um líder necessariamente a diretor, mas saber usá-lo bem na área em que atua. Por exemplo, quando ele é um bom líder dentro de um grupo, na área de Call Center, desenvolvendo as melhores práticas que dão resultado para o cliente, será que a melhor opção é tirá-lo de lá? Ou seria melhor estimulá-lo a ser ainda melhor no que faz, motivando os outros ao seu redor?

Os líderes são tão procurados, pois eles fazem a diferença nas empresas. Eles motivam suas equipes, pensam de forma mais estratégica, avaliam os colaboradores de acordo com sua competência e objetivo a ser alcançado e podem estar em qualquer cargo ou posição.

IQ: Há alguma particularidade dentre as características dos líderes brasileiros? Algo que só nós temos? E essa particularidade é positiva ou negativa?

Eduardo: O brasileiro é muito bom no tal “jeitinho”, mas não digo no sentido negativo e pejorativo da palavra, e sim no sentido de resolver problemas rapidamente, de achar um jeito, ou seja, uma solução criativa e de identificar novas possibilidades – do inglês “problem solver”. Problemas diversos podem surgir como um grande quebra-cabeça no dia a dia da empresa. É só dar um tempo ao brasileiro, deixá-lo pensar, que ele virá com uma grande ideia e, às vezes, uma bastante simples.

Os brasileiros pensam em como fazer algo de forma diferente, o difícil depois disso é conseguir a aprovação. Eu tive dificuldade em aprovar no Brasil a cesta de natal ou de final de ano, porque nos Estados Unidos isso não é normal, não faz parte da cultura deles e é algo bastante simples. Tive que convencer, mostrar argumentos, pois eles já dão um bom salário com benefícios e bônus a todos os funcionários. E, com o tempo, deu certo. Fiz o mesmo no Chile, mas com o chamado “Fiesta Patria”, que é um valor dado ao funcionário no dia da independência do país, mas lá a cesta básica no final do ano não é cultural. Enfim, tentamos nos adaptar de acordo com cada realidade, respeitando a cultura organizacional da empresa.

Nós somos muito bons nesse “jeito”. O Americano, por exemplo, é obcecado por métricas e é muito forte nisso. Foi trabalhando na FedEx que aprendi a medir tudo. Se uma conta de água subiu R$30,00 de um mês para outro, o americano sabe e vai analisar o porquê disso, o brasileiro às vezes nem percebe. Para o brasileiro o importante é bater a meta, chegar lá, e se ele conseguir, já está feliz, mesmo que seja por um triz. O americano não, ele sabe o quanto foi e o quanto podia ser melhor.

Na minha opinião, todas essas particularidades se agregam. Não existe uma realidade; existem muitas verdades. E quando você enxerga isso, consegue melhorar ainda mais a empresa.

Amanhã, publicaremos a continuação da entrevista com Eduardo Mezei. Mas se quiser ler a entrevista na íntegra, clique aqui!

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1 Comentário

O que as empresas estão fazendo para “formar novos líderes”?, ou, lapidar aqueles que julgam ser futuros líderes?. Esperar que os mesmos sejam ou tenham essa e aquela característica ou habilidade ideal não está sendo exigente demais?.

Líder nenhum nasce pronto!.