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Diretrizes para a construção da empregabilidade: Parte 2 – os componentes da empregabilidade

Na semana passada, publicamos a primeira parte do artigo do Lucia Oliveira sobre Diretrizes para a construção da empregabilidade (clique aqui para ler). Saiba mais hoje sobre empregabilidade e seus componentes.

Foto retirada do site do Ibmec-RJ

Por Lucia Oliveira
Professora do Ibmec, Doutora em Administração – Coppead-UFRJ (2009)

A empregabilidade pode ser definida como a capacidade de uma pessoa de conseguir um emprego, de se manter nesse emprego, e de conseguir uma nova colocação caso seja necessário. É, portanto, ter e manter o seu valor para as organizações.

Diversos fatores contribuem para o desenvolvimento da empregabilidade. Fugate, Kinicki & Ashforth (2004), por exemplo, colocam que ela está associada a três dimensões principais: a adaptabilidade pessoal (personal adaptability), a identidade de carreira (career identity) e o capital humano e social. Cada um desses aspectos individualmente contribui para a empregabilidade, mas combinados possuem um efeito sinérgico importante (ver figura 1).

Fugate, Kinicki & Ashforth (2004), Employability: a psycho-social construct, its dimensions, and applications.

A adaptabilidade pessoal representa a possibilidade e o desejo do trabalhador de adaptar-se proativamente às demandas de cada situação – aumentando seu valor para a organização e suas perspectivas de sucesso na carreira. Esta capacidade seria determinada, essencialmente, por cinco características individuais:

  1. Otimismo, que significa a capacidade de ver os desafios como algo positivo, como uma oportunidade de aprendizado.
  2. Disposição para aprender, que envolve tanto o aprendizado formal como o informal, através da análise proativa das oportunidades e ameaças do ambiente.
  3. Abertura à mudança e a novas experiências; flexibilidade.
  4. Lócus de controle interno, que representa a crença na capacidade de influenciar as diferentes situações enfrentadas; as pessoas com lócus de controle externo, por sua vez, tendem a acreditar que não têm controle sobre os acontecimentos de sua vida.
  5. Autoconfiança, que significa a crença interna sobre a capacidade de sucesso ao lidar com desafios.

A identidade de carreira, por sua vez, permite que o trabalhador saiba “quem é” e “o que quer ser”, contribuindo para sua motivação. Na medida em que as carreiras planejadas pela empresa e a estabilidade caracterizam uma quantidade cada vez menor de postos de trabalho, aumenta o número de possíveis trajetórias profissionais a serem seguidas e, consequentemente, a importância de se ter clareza quanto aos objetivos e aspirações pessoais. Desta forma, a busca do autoconhecimento – valores, motivações, traços de personalidade e estilos de interação – representa um importante passo nesse sentido.

A importância do capital social para a empregabilidade reside nas redes de relacionamento como fonte de informação sobre oportunidades profissionais e de influência no ambiente de trabalho.

A Teoria do Capital Humano nos coloca que quanto maior o estoque de capital humano de um indivíduo, maior será sua produtividade marginal e, portanto, maior será o seu valor para o mercado de trabalho. Originalmente, o capital humano era operacionalizado, essencialmente, pelos anos de estudo e pela experiência profissional. Mais recentemente, o conceito foi expandido e passa a considerar conhecimentos, habilidades e capacidades que não apenas são valorizadas pelas empresas, mas que também permitem que o trabalhador identifique novas oportunidades no mercado de trabalho.

Em resumo, segundo o modelo de Fugate, Kinicki & Ashforth (2004), os componentes da empregabilidade seriam assim definidos:

  1. Identidade de carreira: experiências e aspirações de carreira.
  2. Capacidade de adaptação: abertura à mudança.
  3. Capital Social: qualidade das redes de relações sociais.
  4. Capital Humano: conhecimentos, habilidades e competências dos indivíduos que têm valor econômico para uma organização.

Na próxima quinta-feira, iremos publicar a última parte do artigo de Lucia Oliveira, com sua visão sobre mais um caminho para a empregabilidade!

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1 Comentário

Oi, Lúcia!

Com essa metodologia fica ainda mais fácil entender o conceito e as possibilidades de desenvolver uma carreira com foco na emprebabilidade.

Mais uma vez, parabéns pelo excelente texto!

Bjs
Silvana