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Diretrizes para a construção da empregabilidade: Parte 1- Conceito, mudanças

Foto retirada do site Ibmec-RJ

Por Lucia Oliveira
Professora do Ibmec, Doutora em Administração – Coppead-UFRJ (2009)

O conceito de empregabilidade vem ganhando força nos últimos anos, muito em função das transformações pelas quais passou o mundo do trabalho desde o final da década de 1970. Se antes as empresas podiam e tinham interesse em manter uma força de trabalho estável, em oferecer oportunidades de ascensão e de carreira dentro da empresa, hoje a situação é outra. Na esteira das mudanças no funcionamento das empresas, mudaram as regras do mundo do trabalho.

Ao invés de estabilidade e segurança, as empresas agora oferecem apenas a oportunidade de um trabalho desafiador (e muitas vezes estafante) e a perspectiva de maiores ganhos, fruto da crescente utilização de planos de remuneração variável.

Antes de discutirmos a empregabilidade e suas características, é necessário fazer uma análise crítica do conceito e avaliar as razões para sua popularidade. Em certa medida, a empregabilidade surge como resposta dos empregadores às novas condições do mercado de trabalho. Já que não podem mais oferecer empregos estáveis e seguros, buscam colocar que a responsabilidade pela manutenção do emprego, e pela conquista de outro se necessário, é agora do trabalhador.

Por outro lado, também precisamos levar em conta que a empregabilidade representa uma saída confortável para as empresas e o Estado, já que transferem para o empregado todo o ônus de sua situação no mercado de trabalho. De acordo com a lógica da empregabilidade, se uma pessoa não consegue um trabalho satisfatório é porque não se qualificou o suficiente, não tem posturas adequadas no ambiente de trabalho, não busca criar e manter uma rede de relacionamentos que lhe dê acesso às oportunidades que surgem, não sabe realmente o que quer, não é flexível o suficiente – ufa!

Dito isto, a realidade do mercado de trabalho torna necessário que pensemos nossa carreira e que trabalhemos no sentido de criar e manter nossa empregabilidade. O que não é tarefa fácil.

A lógica da empregabilidade nos “vende” a ideia de que todos podem sair vencedores, com uma boa dose de dedicação e boa vontade. Mas a realidade deixa claro que no novo mercado de trabalho emergem um grupo de vencedores – que consegue criar e manter o seu valor para as empresas –, mas também um grupo de perdedores que, por razões quantitativas e não necessariamente qualitativas (pessoais), não consegue se inserir no seleto grupo de trabalhadores valorizados no mercado. Os números do mercado de trabalho – altas taxas de desemprego, especialmente entre os jovens, grande número de empregos temporários e altos níveis de informalidade – deixam claro não há espaço para todos. Por isso é inevitável que haja um grupo de perdedores neste novo jogo do trabalho.

É necessário, portanto, que busquemos desenvolver nossa empregabilidade, de forma a nos inserir no seleto grupo dos “escolhidos”, mas também precisamos manter uma postura crítica quando vemos e lemos alardeado aos sete ventos que a empregabilidade é para todos e que ela só depende do esforço individual.

No próximo post, Lúcia irá descrever o que é empregabilidade e quais são os seus componentes, de forma a tornar mais claro os aspectos importantes nesta busca por um espaço no novo mundo do trabalho! Fique de olho semana que vem!

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2 Comentários

Oi, Lúcia.

Como sempre, você nos brinda com um texto que promove uma excelente reflexão crítica a respeito do tema.
Além disso, você consegue traduzir conceitos complexos numa linguagem simples.
Vou recomendar para todos os meus alunos.

Parabéns!

Bjs
Silvana

Muito interessante os pontos levantados. Um texto muito reflexivo. A parte mais dificil é como mudar este “rótulo”, uma vez que, os conceitos prontos, incluindo empregabilidade, caminham em diversos sites, blogs, matérias de revistas, etc. com a reitórica da responsabilidade individual sobre empregabilidade!