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Com Firmeza e com Ternura

Por Maurício Rosa
Vice-Presidente de Operações da Facility

Este título vem de um livro sobre relacionamento com os filhos que tomei emprestado para expressar minha visão sobre os relacionamentos no ambiente de trabalho.

O conceito pode, obviamente, ser amplamente aplicado no ambiente familiar, e antes que minha família pule no meu pescoço, quero confessar que não tenho sido um bom aluno neste aspecto.

O mesmo tem tal profundidade e abrangência que me direciona, me questiona e me recoloca no rumo a cada vez que cometo erros. Eu o adotei como um “norte” em termos de relacionamento pessoal e profissional.

Ao sair da faculdade de engenharia nos anos 80 eu me sentia inconfortável na perspectiva de ser um engenheiro atrás de uma prancheta. Felizmente, tive a oportunidade de ingressar em uma empresa formadora, em um posto onde o relacionamento pessoal era chave para ter um bom desempenho. Isto me levou à percepção da necessidade de trabalhar esta característica. O interessante é que os anos se passaram e o relacionamento pessoal se consolidou como sendo imprescindível para qualquer trabalho em qualquer área de qualquer empresa.

Relacionamento pessoal no trabalho não significa apenas fazer amigos e sair para um happy hour na sexta-feira. Significa também estar sempre atento ao nosso comportamento no dia a dia, sobretudo nos momentos de stress e quando queremos expressar nossa opinião de forma clara, contundente e segura.

Não sei como se passa com vocês, mas quando quero dar minha opinião de forma clara, sobretudo em um assunto polêmico, quero ter aquela sensação de “desopilar o fígado” ao terminar o que falo. Tipo: “Pronto, falei !”. Quase sempre quero passar também minha emoção sobre o assunto.

O ponto chave da questão, que acredito ser também o ponto chave desta nossa conversa, é que geralmente eu não sou apenas claro, contundente, seguro…. Eu sou duro.

Intervalo (silêncio) para você pensar…….

Você vai argumentar que foi sincero, direto… Não se engane, você foi duro… E possivelmente mal-educado também. E quando você é duro o foco sai do “que” você disse, para o “como” você disse. A pessoa fica com raiva de você pela forma inadequada e não absorve a mensagem. O foco sai da mensagem da pessoa para a pessoa da mensagem.Você fica feliz momentaneamente, por ter “descarregado”, mas frustrado depois, pois não obteve seu intuito e prejudicou o relacionamento. Vamos ser pragmáticos. Em termos de resultado obviamente o seu objetivo era de passar a mensagem… E o resultado obtido foi um problema de relacionamento.

O desafio que me lancei, anos atrás, e confesso que continuo perseguindo, é de ser firme, e não duro. Para isto, você tem de integrar um novo sentimento ao seu vocabulário emocional: a ternura.

Procure perceber que firmeza e ternura não são conceitos antagônicos. Na verdade, quando você quer expressar sua opinião, seu objetivo é ser firme. Se você consegue balizar esta firmeza utilizando a ternura, você evitará o risco de que o foco seja você e não a mensagem que você quer passar, o que seria catastrófico na comunicação. Teremos um resultado “ganhar X ganhar” e não “ganhar X perder”.

Para resumir esta conversa, estou propondo que você passe a utilizar a ternura como “pratica gerencial”. Uma vez alertado sobre benefícios desta nova pratica, você começará a observar que diversas pessoas já utilizam a ternura de forma natural por terem esta capacidade dentro dos seus DNAs. Você observará também que os resultados por elas obtidos no campo do relacionamento aumentam a capacidade em acelerar e resolver assuntos.

Que tal começarmos hoje mesmo ? Desejo a todos um bom exercício de ternura !

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13 Comentários

Mauricio, adorei o texto! É uma grande verdade e acredito que a maturidade e autoconhecimento ajuda muito no desenvolvimento desse lado. No entanto você teria recomendações de formas de desenvolvimento para esses aspectos?

Bom dia!!!! Acredito que não exista formula magica para este trabalho que deve ser de formiguinha um passo a cada vez é vigiar nossas atitudes e comportamento frente nossos colaboradores como vc mesmo disse o secredo é esse amadurecer com nossas experiencia adquirindo uma maior maturidade e como vi esses dias em um telejornal ref a uma vaga de emprego precisamos ser resolvidos… A vaga dizia mulher de 40 anos resolvida com experiencia é isso procurar se conhecer e estar com a autoestima bem para não se achar superior com quem temos que ser firmes é ser literal,verdadeiro ,oportuno e relevante aqui chamo de conversa de V.A.L.O.R :
Verdadeiro, Assertivo,Literal ,Oportuno e Relevante e assertivo, bem deve ser esse o começo.

Sonia: Acho que “vigiar” é a palavra chave ! Se você vigia é porque você entendeu o quanto isto é importante e também porque entendeu que pode falhar e que a questão precisa ser “vigiada”. É importante entender e acompanhar os resultados ! Eu me lembro de um amigo de trbalho (setor ao lado do meu) que dizia: ” que sorte você tem ! O RH só te dá pessoas motivadas e alegres !”). Podemos atuar de forma a motivar nossas equipes ou continuar acreditando em Papai Noel ! Abraço !

Oi Raquel,
Acho que tanto a Sonia como o Agenor responderam à sua questão. É um trabalho de dia a dia. Acho que um ponto importante é o desapego ao ego. Quando aprendemos que descer do pedestal de chefia (ou gerência, diretoria, presidência) e reconhecermos nossos erros, sermos humildes, aprendermos a pedir desculpas (dizer um ” sinto muito” faz milagres !) estaremos nos aproximando das nossas equipes. Temos que entender que não somos “seres superiores” nem melhores que os outros. Quando fizermos isto e tivermos conquistado a cumplicidade (no bom sentido da palavra) das nossas equipes, teremos ganho a batalha do management ! Abraço !

Gostei muito dos seus comentários e compartilho com eles…
Muito boa a sua citação: “E quando você é duro o foco sai do “que” você disse, para o “como” você disse. A pessoa fica com raiva de você pela forma inadequada e não absorve a mensagem. O foco sai da mensagem da pessoa para a pessoa da mensagem.”
Praticar “firmeza com ternura” é difícil, mas não é impossível. Diria até que devemos ser enérgicos (postura) com educação e respeito.
No campo do relacionamento “comandante/colaborador”, o corpo gerencial ou de supervisão deve procurar praticar a filosofia do “ganhar X ganhar” e abolir a ultrapassada teoria do “ganhar X perder”. Onde o resultado “bom para um” deve ser “bom para todos”.
Decorrente disto, percebemos que cada vez mais as grandes empresas estão procurando valorizar seu maior patrimônio, ie, seus colaboradores.

Agenor, obrigado pelo apoio ! Acho que você entendeu extremamente bem a mensagem e os princípios ! A nossa luta diária é de aplicá-los e, quando não conseguirmos, ter a humildade de reconhecer o erro e acertar a direção ! Abraço !

Eu sempre digo que não importa o que você diga desde que o faça com educação e cuidado. Utilizando um velho clichê “não faça com os outros aquilo que não gostaria que fizessem com você” para reflexão, ora, ninguém gosta de sentir-se maltratado, seja no ambiente corporativo ou nas relações pessoais. Ocorre que alguns chefes (não denominarei líderes porque se não sabem comunicar-se com sua equipe não merecem ser denominados como tal) não enxergam a importância de manter uma boa relação com seus subordinados (também não posso dizer colaboradores, pois esse perfil só vê as pessoas como obrigadas a fazer o quê e como ele quer), o que faria com que o trabalho rendesse melhor e mais naturalmente, mas não, preferem criar um ambiente hostil que beira o assédio moral ao invés de criar um clima harmônico, colaborativo e participativo.
Esses “profissionais” estão desalinhados com as tendências do mercado de trabalho, mas, infelizmente, ainda existem em grande número.

Oi Daniella:

Os bons lideres, que sabem que respeito e cordialidade tornam o ambiente mais propício à criatividade e produtividade acabam ouvindo que são “sortudos”por contarem com pessoas motivadas, dinâmicas e produtivas em suas equipes….como se isto tivesse vinso “ao acaso”…..Nada como ter uma equipe que trbalha sorrindo e se divertindo !
Abraço !

Maurício, adorei seu texto e sei que certamente me refirirei a ele em oportunidades futuras. Direto no ponto. São essas pequenas coisas simples que deixamos de considerar que fazem a diferença no dia-a-dia. E é importante lembrar que uma mudança de postura como essa requer disciplina e perseverança, pois é uma construção dia-a-dia. Um grande abraço. Márcia

Oi Marcia. Obrigado pelo elogio !
Em um outro texto (ainda não publicado) comento que devemos trabalhar dedicando o melhor de nós para as pessoas. Se fazemos isto com nossas famílias, porque não podemos fazer com as pessoas do trabalho, colhendo assim o melhor ambiente, uma vida profissional agradável ! Certamente os resultados operacionais virão juntos ! Abraço !

Olá, ainda não conhecia o blog, acabei conhecendo através de uma palestra que um colega de Pós ministrou. Sou gerente de departamento pessoal e como tal lido diretamente com pessoas e em momento algum havia realmente parado para refletir sobre minha conduta e de que forma delego e cobro. Esse texto oferece uma visão única do nosso dia-a-dia tanto pessoal quanto profissional e nos leva a refletir ainda mais, antes de tratarmos com qualquer pessoa, pois com o passar do tempo podemos acabar vendo pessoas como números…
Meus parabéns ao autor Maurício Rosa por tal visão e pela sabedoria em disseminar o conhecimento e também ao meu caro colega Daniel Félix Jr. pelo carisma cativante ao passar tal tema, esse carisma com certeza vai induzir outros além de mim a procurar esse texto…

Com certeza irei ler os outros textos do autor…grande abraço a todos!!!

Olá pessoal, tudo bem?! Conheci o blog através deste artigo que um colega de Pós nos apresentou de forma tão cativante, e que me fez querer vir aqui e comentar…. Adorei o texto e a acho que o mesmo é de extrema importância para qualquer gestor, quem dera se em todas as empresas existisse alguém com este tipo de pensamento. Com certeza vou dar uma olhada nos outros textos do autor… parabéns pela iniciativa do blog, ao Maurício pelo texto e ao meu colega de pós Daniel pela apresentação….abraços.

Posso ser sincero Mauricio? O seu texto pode ser cativante, mas nada tem de original. Che Guevara, já na década de 50, utilizava esse mesmíssimo conceito de convivência da energia/dureza com a ternura nas relações interpessoais. Era esta a mensagem que passava aos seus comandados, sentetizada na célebre frase: hay que endurecer siempre pero sin perder la ternura…. E o próprio Eike Batista, quem diria, valeu-se da mesma idéia numa entrevista há uns dois anos.
Abraço