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Quero Mudar de Área: Click Coaching

A teoria é, muitas vezes, bem diferente da prática. Achamos que gostamos de um assunto porque fomos, em algum momento e de alguma forma, apresentados ao seu conteúdo. Mas às vezes, aquilo que despertou nosso interesse no mundo dos conceitos e do planejamento, pode não nos encantar tanto assim quando partimos para sua realização. Normal, isso pode acontecer com todos nós e aconteceu com a Lúcia que escreveu para o Click Coaching.

Lúcia tem 26 anos e nos conta que quando cursava o oitavo período da faculadade de Direito, concluída em 2010, percebeu que gostava muito da teoria e nem tanto assim da prática. Não gostou de trabalhar com a aplicação do Direito em si porque, segundo ela, “é muito certinho” e ela diz gostar de algo mais dinâmico. É aqui que insiro o  primeiro conjunto de perguntas para sua reflexão:

  • O quê a motivou na escolha desse curso? Tente lembrar do que pensou, com quem conversou, do que leu e ouviu sobre esse curso, sobre essa profissão.
  • Você conehce pessoas que admira, família ou amigos, que estudaram esse curso? Porque você as admira? O quê elas fazem? Como elas agem?
  • Quais eram os seus objetivos e sonhos quando, ao prestar vestibular, você imaginava após a conclusão do curso?
  • Qual a sua definição para “algo mais dinâmico”?

Os motivos que a levaram a fazer esse curso contam um pouco do tipo de atividade que te interessa. Lembre da diferença entre profissão e carreira. Você, lá atrás, se identificou com o Direito como uma profissão, mas não precisa construir toda a sua carreira como advogada. Você pode utilizar o quê aprendeu na sua profissão como base para a construção de uma carreira em áreas e funções diferentes. Um novo conjunto de perguntas:

  • Que áreas do Direito mais despertam seu interesse? O quê exatamente essas áreas te interessam?
  • Que áreas você não gosta tanto assim? E porquê? O quê a desagrada nessas áreas?
  • Quais são os principais conhecimentos e habilidades que você identifica em um advogado?
  • Quais são os conhecimentos e habilidades necessárias para atuar nas áreas do Direito que a interessam?
  • Faça uma auto-avaliação: Quais são suas forças e fraquezas em relação a esse conjunto de conhecimentos e habilidades?

Depois de algum tempo “lutando” contra o fato de não querer trabalhar na área do Direito, resolveu estudar Gestão de Negócios para conhecer mais sobre outras áreas de atuação e “descobriu” interesse por RH e Marketing. Um pouco mais de investigação a levou a área de Marketing.  Aqui vale o terceiro bloco de perguntas:

  • Quem você conhece ou pode vir a conhecer que atua em Marketing? O quê elas fazem? Como fazem? Que competências demonstram?
  • Quais são as áreas do Marketing que te interessam? Quais você não vê afinidade? Quais áreas dentro do Marketing são a “porta de entrada”?
  • Quais competências você entende que são necessárias para atuar nessas áreas? Confronte com a auto-avaliação mencionada mais acima. Quais são os principais gaps? O quê fazer para minimizá-los?
  • Liste suas diferentes realizações e identifique o quê elas têm a ver com as suas áreas de interesse?
  • Quais são suas empresas alvo? Faça uma lista das que você gostaria de trabalhar e por quais motivos.
  • Quem você conhece ou pode vir a conhecer que a aproximam dessas empresas? Faça uma lista.

Essa recolocação no mercado pode ser um pouco difícil, normal. Mas a boa notícia é que não é fácil para ninguém. Acredito em três coisas para apoiá-la nessa busca:

  1. Networking: Essa é a mais poderosa forma de colocar você no lugar certo, na hora certa.
  2. Apropriação das suas realizações: Contar a sua história, o quê você já fez e o quê voce conhece, reforçando aquilo que a habilita a realizar as novas funções.
  3. Preparação para entrevista: Estudar antes as características da empresa, o quê está acontecendo nesse mercado? Como é a área de marketing dessa empresa? Quais são os valores que essa empresa prega? Depois, volte à forma como pretende contar sua história nessa entrevista. Reforce o quê você fez e conhece que estão mais alinhados com o que essa empresa busca.

Não deixe de considerar, também, as áreas que podem servir de “porta de entrada”. Você é jovem e dar “um passo atrás” pode ser garantia de “dois passos para frente” daqui a pouco. Permita-se experimentar, só assim você vai identificar com mais clareza a área que mais gosta. Estudo formal você já parece ter o suficiente, estudar algo mais acho que será apropriado quando estiver na área nova. Assim, você vai poder direcionar o investimento de tempo e dinheiro para algo que vai contribuir diretamente para sua nova função.

Quando falamos de carreira, ter certeza, clara e absoluta de alguma coisa, nem sempre gera a melhor experiência.

Sucesso!

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6 Comentários

Fictícia ou não, a história da Lucia é muito parecida com a minha.
Fiz Direito na USP influenciada por parentes advogados, mas cedo percebi que no Brasil não se exerce o Direito como nos filmes americanos…terminei o curso e fui fazer Pós em Marketing, e também descobri que na prática não há tanta graça no assunto quanto parece.
Desta forma, deixei a vida me trazer os desafios. Aos 39 anos sou Gerente Administrativa e Financeira de um Grupo de empresas, mudando de carreira aos 37, saindo da área de Compras para o que eu chamo de “MBA prático em Administração de Empresas”.
O importante disto tudo é que nenhum conhecimento adquirido ao longo da vida foi perdido, e se aparecerem novos desafios, estarei cada vez mais preparada! Dê-se esta chance, sempre!
Joseane

Olá Joseane,
muito bom ponto, o importante é estar aberto às novas oportunidades, mas sem perder de vista o quê buscamos, o quê gostamos de fazer e queremos alcançar.
Todas as experiências podem contribuir de alguma forma para tudo isso, o importante é conseguir reconhecer a contribuiçao de cada uma. Parabéns pela mudança.
A história da Lúcia é verdadeira, só o nome foi trocado e alguns dados omitidos, para manter o anonimato.
A “Lucia”, assim como diversos outros leitores do blog, enviou sua questão de carreira para o [email protected].
Toda segunda-feira, escolhemos um dos e-mails e publicamos um texto sobre à questão enviada na coluna Click Coaching.
Espero que possa acompanhar a coluna e o blog.
Obrigada!
Abco.

Acho todas as questões comentadassão ótimas e devem ser refletidas, por quem quer fazer uma mudança.
Porém vale lembrar que mesmo o mercado aquecido, é muito difícil surgir uma chance, poder experimentar já que a meu ver parace que as pessoas estão com um rótulo e não “podem”ter essa nova experiência.
A balalha é dura, mas tem que ser vencida de alguma forma! Estudos, persistir,networking e preparação são grandes aliados.
Gabriela

Olá Gabriela!
Isso mesmo, a batalha é dura, mas é muito possível.
Por trás de uma mudança como essa tem muita dedicação e estudo. Estudo do mercado, dos segmentos, das empresas mas, também, de nós mesmos. O quê quero? Quais são meus pontos fortes? O Quê faço muito bem? Quais são meus diferenciais? O quê não me agrada? Como devo contar a minha história? Como contar o que busco e valorizo? etc
O conteúdo é sempre o mesmo, mas a forma de apresentá-lo tem que variar conforme as características do interlocutor.
Obrigada e venha nos visitar sempre, ta?
abco

Muito interessante
Havia lido recentemente em Epoca Negocios na otima coluna do Carlos Faccina, para procurar um emprego onde ele nao está
Como estou entrando meio que forçadamente num período sabático, vou pensar sobre o assunto.
E estou disponivel para tomar aquele café com voces a partir do dia 01/09
Abs

Fernando,
concordo com o que diz o artigo que menciona.
Deveria ser a mesma regra para quem busca um candidato, ir atrás daqueles que não estao buscando emprego e não só entrevistar os candidatos que procuraram a empresa.
Porém, reforço que essa ação requer tempo, formação de rede de contatos, encontrar pessoas, conehcer pessoas novas etc.
Sucesso!