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Funcionário “Sombra”

Quem não conhece esse tipo de funcionário? Aquele que está sempre atrás de você e não tem opinião própria, em reuniões e apresentações costuma repetir o que os outros disseram. Como o quadro de um programa de humor da Globo que dizia algo assim: “fala, mas fala diferente”.

Esse tipo de funcionário costuma ter baixa capacidade de expressar uma visão crítica sobre as coisas e, consequentemente, tem uma argumentação pobre que o leva a buscar seu lugar ao sol repetindo o que já foi dito, ou seja, não acrescenta nenhuma nova informação ou ponto de vista, mas sempre pede a palavra como se estivesse colocando o ponto final na discussão, a cereja no bolo. Os colegas o chamam de sombra, fake, arroz, ou ainda, espelho.

O problema é que conviver em um grupo de trabalho que tenha alguém assim, tem suas consequências. Ninguém gosta de saber que há um colega capaz de copiar seus slides, replicar diferentes fóruns uma frase ou argumento seus, um colega que se apropria das suas idéias e as vende como se fosse o “dono”. Já deu para ver o estrago que faz alguém assim, certo?

Eu publiquei na semana passada o texto Funcinário Dissimulado e ontem comprei o exemplar de maio da revista Super Interessante da Editora Abril, que, para minha surpresa, traz na capa a seguinte matéria: “Psicopatas no Trabalho: Eles querem dinheiro, poder, um cargo alto. São quatro vezes mais comuns nas empresas do que nas ruas. Cuidado: pode ter um na mesa ao lado.” A matéria aborda as características de pessoas assim, o estrago que podem fazer dentro de uma empresa e está recheada de exemplos. Vale muito a pena a leitura.

O interessante é que o funcionário “sombra” costuma ser o par perfeito dos “dissimulados”, sabem porque? Um costuma não ser tão inteligente e o outro costuma ter inteligência acima da média, um costuma ser estrategista e o outro um perfeito executor, um segue o outro manipula, ambos se fingem de melhores amigos do chefe e dos colegas, mas não se preocupam em mostrar o que são quando precisam dar mais um passo em direção a concretização da sua ambição, que normalmente ambos têm em alto grau.Viu? Casamento ideal!

O importante é aprendermos a “ler o ambiente”, a identificar pessoas assim, ter cuidado com os “desabafos” e com quem sistematicamente nos oferece “apoio”.  Não tem jeito, o mundo corporativo é “injusto” uma vez que não temos domínio sobre a escolha e controle de todas as variáveis que gerenciamos e, então, sempre vão haver “dissimulados” e “sombras”. O mais importante é sabermos nossa posição, termos clareza de quais são nossos objetivos, valorizar nossas crenças e atitudes, sermos um pouco mais reservados e nos expor mais em fóruns e reuniões.

Mas sabe o que considero bacana nisso tudo? para muitos funcionários que fazem parte de um grupo com perfil duvidoso, existem muitos outros que fazem parte do grupo daqueles que contribuem, que são generosos, que querem crescer e se preocupam em levar os outros junto, que são sinceros e confiáveis.

Quanto mais funcionários pertencentes a esse segundo grupo uma empresa desejar e batalhar para ter na sua equipe, melhor será seu clima organizacional… Fazemos escolhas… sempre!

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4 Comentários

Espetacular!
O texto dessa semana, combinado com o da semana passada, mostra a importância de nos esmeirarmos em fazer um mapeamento do ambiente de trabalho, para decodificação, entre outras coisas, do perfil e valores dos que trabalham consco. Esse mapeamento nos ajudará a definir a melhor forma de lidarmos com cada um dos perfis, obviamente, mantendo sempre nossos valores, que se forem de fato fortes, serão mantidos independente das características do ambiente.
As pessoas exercem papéis na vida. Se esses papéis interferirem somente na vida da própria pessoa, questão de escolha de quem os exerce. O problema está naqueles que exercem papéis que prejudicam outras pessoas. Esses são os perigosos e por isso precisam ser rapidamente mapeados, para que não seja estimulado o exercício desses papéis, de forma a preservar o ambiente sustentavelmente saudável da empresa.

Sonia,
É isso mesmo!
Não diria que é fácil, mas se um dos seus valores é respeito ao outro, você vai ficar atenta ao ambiente de trabalho, não permitindo que pessoas assim cresçam profissionalmente.
Acredito que existam empresas com essa postura, simplesmente pq existem pessoas que têm!
obrigada!

Muito bom este post – bom e tempestivo! Creio que a maioria conhece estes tipos – o dissimulado e o sombra, mas muitos só realmente os identificam após deles receberem a primeira “mordida venenosa”. Concordo que o melhor é mapeá-los mas concordo também que é tarefa difícil – o jeito é estarmos atentos aos sintomas e reagir na forma mais adequada à situação em si, seja literalmente nos livrando deles visto que é um caso tão forte de distorção de caráter que um treinamento não irá adiantar, seja fortalecendo nossas atitutes éticas como uma vacina para deixá-los longe de nossa atuação e da influência a nossa equipe. Estes tipos estão se tornando tão rotineiros e tão flagrantemente indigestos que já são personagens comuns nos folhetins televisivos o que mostra uma tendência nefasta no meio social e, aí, sou de opinião que não somente o indivíduo mas também a empresa e seus agentes devem usar seu papel social, seus conceitos de ética e justiça para reverter esta tendência.

Stella,
Obrigada por tão clara e precisa colocação.
Você tem toda razão, infelizmente, esse tipo d pessoa vem se tornando cada vez mais comum no meio social. Triste constatar, mas creio que família, religião e escola não vêm, por uma serie d fatores, contribuindo para a formação d um sólido conjunto d valores que guie os indivíduos a uma interação ética e transparente.
Dessa forma, as organizações “recebem” indivíduos que já têm crenças e comportamentos duvidosos e encontram no duro ambiente d continua busca por resultados, o cenário perfeito para exercer na íntegra suas “potencialidades”.
O difícil é, como captar essa essência ainda no processo seletivo?
Claudia