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Fornecedor que Usa Jeans Não Tem Conteúdo

Estive em um aniversário na semana passada e, naturalmente, fui apresentada a diferentes pessoas. A conversa com uma delas inspirou o tema desse post.

Em algum ponto da conversa essa pessoa lançou a seguinte afirmação: “eu não recebo fornecedor que esteja usando calça jeans”. Essa frase me despertou grande atenção porque veio de uma pessoa que tem um cargo executivo em uma empresa bastante informal.

Imediatamente eu coloquei: “entendo que existam convenções, mas porque toda essa determinação, uma vez que o seu ambiente de negócios é extremamente flexível e informal?”

A resposta veio rapidamente: “já cansei de receber fornecedor de jeans que não traz soluções com base no negócio e só apresenta blá blá blá”.

Nós, seres humanos, raciocinamos com aquilo que sabemos, com base nas experiências vividas. Natural, então, imaginar que essa pessoa deve mesmo ter recebido um ou mais fornecedores que apresentaram a indesejada combinação: jeans + falta de conteúdo. E é aí que reside um dos grandes limitadores das relações e da descoberta do novo, a generalização, as crenças irracionais que criamos sobre algo ou alguém.

Ninguém tem evidências que permitam afirmar que todos os fornecedores que usam calças jeans, não tenham conteúdo. Essa pessoa teria que ter conversado com todos eles e, obviamente, isso não seria viável. Por isso chamamos de “irracionais”, porque são crenças que não se baseiam na razão. Assim, acontece com todas as generalizações que fazemos, todas as crenças que criamos porque experimentamos algo uma ou duas vezes e passamos a irracionalmente acreditar que tudo e todos são iguais e, então, os evitamos.

O que perdemos quando nos fechamos para algo ou alguém porque de cara acreditamos que representa uma experiência indesejada?

Quem já não presenciou gestores e colegas de trabalho com preconceitos que são repetidos irracionalmente e, com isso, limitam as inovações e as mudanças. Quantas oportunidades são diariamente descartadas? Quantas pessoas são magoadas?

Quero acreditar que a pessoa que ilustra esse post, deixou de conhecer muitos fornecedores que são cheios de conteúdo e usam jeans. E usam porque têm estilo, fizeram escolhas, simplificaram várias coisas na sua vida, inclusive a roupa que usam e, por último, são flexíveis e, por isso, capazes de adotar as convenções dos lugares que pretendem fazer negócio.

Em tempos de muitas opções e acesso ao que é diverso, aqueles que insistem em rotular o outro são os que verdadeiramente perdem.

Vou de jeans hoje…

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6 Comentários

Mandou super bem Claudia !
Que pena que ainda hj pessoas pensem assim !

Obrigada Amaury!
Esse tipo de rótulo e preconceito acontece, infelizmente, em muitas outras áreas.
Mas acredito que quem rotula perde mesmo muito mais do que quem recebe esse ou aquele rótulo.
CK

Claudia, adorei a crítica. Salve a competência das pessoas que usam jeans ou não, como diria Caetano. Bjos

Excelente seu posicionamento.
Entendo ser este mais um tema que precisa ser “convidado” para as discussões e debates informais. Estamos a passos largos na evolução de temas que influenciam diretamente nas relações profissionais e, pq não dizer, pessoais também.
“Pré conceitos” como este, muitas vezes rompem e/ou sequer permitem o início de uma relação profissional, por estar exclusivamente voltado aos aspectos externos.
Obviamente, o total desprezo à forma, não deve ser considerado; mas o apreço e foco no conteúdo, devem vir sempre em primeiro lugar.
Recentemente uma pessoa dividia comigo sua preocupação por ter sido convidado a fazer uma apresentação e não estar “de terno”… após ter concluído com sucesso a apresentação, perguntei se a roupa que ele usava influenciou em algum momento; ele simplesmente riu. Ainda bem que quem o convidou, pensa diferente daquela apresentada à você.

Perfeito Mary, tenho a mesma avaliação que você.
Lógico que temos que observar as convenções e respeitar as preferências, mas nada disso pode ser motivo para rotularmos pessoas.
Obrigada!