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Mais um pedido de demissão! Faltam 22 Dias!

Ainda em São Paulo, vou ao encontro da minha irmã e sobrinhos.

Para minha surpresa, ela me comunica que também pedirá demissão. Minha irmã é biomédica e trabalha em um grande e conceituado laboratório médico. Ainda surpresa, indago o motivo e ela me responde que pretende estudar e trabalhar com design de interiores. Mais uma pessoa próxima optando por construir uma nova carreira.

Será que um maior número de pessoas está mesmo mudando de carreira ou sou eu, que por ter decidido por isso, estou prestando mais atenção ao tema? Eu achava que era a 2ª opção, então… a Joseana me emprestou o livro “The Opt-out Revolt” que tem como sub-título algo como “porque as pessoas estão deixando empresas para criar carreiras caleidoscópicas?”. Aí ficou claro, para mim, que as duas opções estavam certas, eu estou mesmo mais atenta e vem aumentando o número de pessoas que têm pedido demissão para se “arriscar” em uma nova carreira.

O termo “carreiras caleidoscópicas” aborda o conceito de carreira extendida, diversificada. Cada vez mais uma carreira deixará de ser vertical, rumo à posições executivas e vai ser construída pela soma de diferentes experiências, das mais diversas naturezas possíveis, muitas delas representadas por atividades novas que não existiam há, por exemplo, 5 anos. Exatamente como um caleidoscópio, que a medida que o movimentamos, nos oferece uma variedade de imagens.

Os motivos pelos quais as pessoas tomam essa decisão também são de natureza bastante variada, uns buscam flexibilidade, outros reconhecimento, outros satisfação, significado, outros desejam menos stress, há aqueles que querem participar de algo novo e por aí vai. Uma afirmação das autoras despertou, ainda mais, minha atenção, a de que o número de  homens que optam por deixar suas carreiras executivas também vem crescendo. Elas explicam que homens e mulheres têm pioridades diferentes, mas estão guiando suas carreiras para caminhos similares, para fora das fronteiras tradicionais do mundo corporativo.

Meu pensamento se volta para as empresas, como se já não bastasse o difícil desafio de reter talentos para que não aceitem uma “melhor oferta de trabalho” em outra organização, agora terão que se preocupar, também, com a retenção daqueles que pensam em seguir vôo solo. Quais estratégias de retenção deverão ser postas em prática? Que mudanças na legislação deverão acontecer para possibilitar às empresas oferecerem mais flexibilidade no trabalho? que mudanças deverão acontecer com os gestores para que sejam capazes de gerir pessoas com tão diferentes interesses e motivações? Como oferecer mais autonomia em tempos de busca de aumento de produtivade e padronização? Como conciliar vida pessoal e profissional em tempos de estruturas reduzidas e longas jornadas de trabalho? Ih…

Para incrementar essa reflexão com fatos e dados, menciono o fato de o empreendedorismo no Brasil vir crescendo, conforme revela a última Pesquisa GEM – Global Entrepreneurship Monitor. O número de negócios cresceu 97% em relação a 2008, quando 2,93% da população adulta tocavam empreendimentos. Em 2009, esse número saltou para 5,78%. A pesquisa revela ainda que os jovens estão a frente da maior parte desses negócios: do total de empreendedores, 20,8% estão na faixa de 18 a 24 anos enquanto na última pesquisa, divulgada em 2009, a taxa de jovens entre 18 a 24 anos que empreendiam no Brasil ficou em 15%.

De volta ao Rio de Janeiro, minha reflexão sobre os imensos desafios das empresas diante da “evasão” coprorativa, risos, é interrompida por um providencial telefonema, Silvana me convida para tomar um especial champagne em sua casa, na companhia de um amigo que mora em Miami e está no Brasil. Degustar um belo champagne na companhia de pessoas interessantes não foi para mim um difícil desafio…

Tim-tim!

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